Thursday, October 25, 2012

desasosegada

todos os segundos pulsam em mim.
toda essa espera me consome.
toda essa sensação me preenche
e faz minha alma rasgar meu peito.
é miragem de quem busca oásis.
é porto de quem quer ancorar-se.
todos os minutos me inebriam.
todas as lembranças me corroem.
todos os detalhes me transportam...
eu imagino a todo tempo a sua presença.
eu sinto o tempo todo os seus sentidos.
todas as horas me modificam.
todos os dias me inquietam!

Tuesday, October 23, 2012

fantasia

me dá licença seu moço
quero ficar aqui pra ver esse samba passar.
e me vestir de alegria
colorir poesia e me acabar de sambar.
vou largar desapegos
esquecer os apelos.
não vou me segurar.
me dá licença seu moço, me deixe seguir
e me perder no caminho.
já tive mil desencantos
perdi todos os pontos tentando ganhar.
hoje eu sigo a folia,
vou atrás da magia que o horizonte guardar.
eu vou sair na avenida
e vou mostrar pra essa gente que ímpar com ímpar
dá par.



Sunday, August 19, 2012

descontrutivo

mas é que de repente me vem um sentimento sem nome.
que me invade e me consome.
me faz querer viver de novo tudo o que eu não vivi.
é a saudade de sentir tudo que um dia hei de sentir.

Wednesday, March 21, 2012

luta

ouvi.
a notícia da dor e a lágrima lavou cada pedaço meu.
fiz pedidos, promessas... 
senti o vazio.
a urgência.
a pressa.
me entreguei a cada momento 
na fé.
ouvi...
disseram que o amor resolve tudo.
que a dor é esperar.
cada instante.
cada abraço.
pedaço.
e pulsa. 
espera e acredita. 
se firma e é forte.
enfrenta e aguenta. 
e confirma. a vida!

[para Lara Monteiro]


Sunday, February 26, 2012

ao pó

era uma sensação rochosa.
inerte. sólida. granular...
se perdia na contemplação horizontal do absolutamente nada.
todo calor que ganhava
se dissipava no tempo.
era como sensação rochosa.
uma pedra.
um mineral...
ela possuía tudo em si.
mas nas formas mais primárias.
eram sentimentos férteis.
que ninguém queria absorver...
e então ela possuía tudo em si. tudo em dó.
tudo ao sol.
era uma sensação fria.
uma posição inerte.
uma demonstração rochosa...
não ia a lugar algum buscar quem a amasse...
ficaria ali.
esperaria ali.
dissipando amor em vão.
até se acabar no vento.
com o tempo.
como grão.


[para Lara Marx]

Monday, February 13, 2012

brisa

quis jogar as palavras 
e esperar que elas conseguissem dizer
o que eu não tive coragem.
mas elas caíram pesadas.
paradas.
e disseram pra mim 
"tenha calma.
porque um dia você há de entender
que o que você sente aí dentro
é tanto quanto o vento.
que existe, acontece. sabe
mesmo sem se ver."

Wednesday, February 08, 2012

crença minha

eu vejo muito além do limite que você quer me fazer enxergar.
a vida tem dessas coisas...
há muito mais para se entregar.

peças

porque eu quero demais
e é um querer sem fim.
e tudo isso me faz
buscar muitas razões
pra tentar entender o que é você
sem mim.

trajeto

eu me lembro daquele momento
em que meus olhos sorriram
ao te ver sorrir pra mim.
e depois fiquei atento,
vi que seus passos iam
pra longe e firmes... assim.

Tuesday, February 07, 2012

mesmices

e quando você reparou.
me parou.
eu estava ali sem mais. sem menos.
só estava.
e não pensava em pensar.
em tudo que eu me fiz esquecer.
em tudo que fiz pra dizer.
que só estava.
e só estou. 
depois que você reparou.

Thursday, November 10, 2011

para todo fim, um recomeço!

Receio não corresponder minhas vontades, minhas saudades...
Há muito pra ser dito. Há muito pra aprender!
E a cada minuto que eu deixo passar, parece que perdi os registros.
Há de se crescer. Há de se superar... sempre.
Não acredito que eu recolha as velhas fotografias, que eu rasgue os velhos textos.
Não acredito em esquecer.
Quero crer na esperança. Na mesma última esperança que me consome todos os dias me fazendo procurar um meio de entender a beleza e a sensibilidade das palavras.
Crer no que sinto e talvez no que escrevo.
Crer no que desejo e na busca de novas formas de entender que uma pausa nunca foi o ponto final da história.

Tuesday, June 23, 2009

gato de armazém

Com jeito se ajeita.
Num canto descansa.
Se levanta pra olhar como quem não alcança.
E se deita, desmancha, esparrama fugaz.
Não pense que é pouco... não é só o que faz.
Quando quer; malícia.
Quando pode; sagaz.
Com jeitinho, de mansinho. Um sorriso, um carinho.
Fique longe, esperto. É melhor parar.
De contrário, fique certo: ele vai te conquistar!



Wednesday, June 10, 2009

pequena

Com um sorriso aberto.
Com o peito aberto...
De alma pura.

Quantas vezes você já hesitou se apixonar por medo do sofrimento?
Quanto amigos você já evitou com medo da despedida?
Quantos sonhos você já guardou por pensar que ousar não é possível?
Eu sei que existiu alguém que se apaixonou. E amou tanto e intensamente que cativou amigos. E os acolhia com ternura ímpar. E sonhou ao lado deles. E realizou todos os que podia porque ousou. E foi feliz.

Vida efêmera.
Vida estranha.

Quantas coisas foram deixadas para amanhã?
Não adie seu amor. Ame. Goste. Faça valer.
Não adie seus sonhos. Exagere. Se empenhe. Faça acontecer.
Não adie seus aimgos. Cative. Acolha. Se entregue e aproveite cada gesto como se fosse o último.

Wednesday, April 08, 2009

estratégia


Diante do que posso ver
Talvez nem tudo foi perdido
E o que resta saber
É o tamanho do perigo
Que eu posso correr aceitando o desafio
De aceitar fazer o jogo
De correr, perder o fôlego.
De perder por opção. Ou não
Me faça ver perspectivas...
Quem sabe a próxima saída é pela contra-mão?
Quem sabe estamos enganados procurando certos lados que não se encaixam na situação...
Pra qualquer lado que se vira a face
Só essa imagem será o sim.
E seja lá do que se trate, o jogo só para quando chega o fim.


[conte os pontos convenientes. é perder por opção - ou não!]

Thursday, April 02, 2009

conclusões da tarde


Hoje acordei com pensamentos em confronto.
Me levantei, sai sem rumo.
Basicamente nem percebi meu passo torto...
Era inútil corrigir o já feito.
Parei pra ver o por-do-sol pela primeira vez. Mas choveu a tarde toda...
Parei pra ver o mar dançar... já era tarde. Não mais ouvi a música que me lembrava você.
Não mais lembrei teus olhos.
Achei melhor mesmo esquecer... e procurar no céu outros motivos de lembranças.
Vou me deitar no chão essa noite. Escolher um outro som. Cantar sem ver seus olhos. Ver estrelas!
Amanhã quero acordar e ser feliz.

Wednesday, February 25, 2009

Ciclo


O que se chora, se fala. Se cala!

O que se pega, se apega. Se apaga...

O que se vira, se inspira. E respira.

E se molda, e se expande e se muda.

O mesmo destino do que se ama, se perde.

E o mesmo ruído se torna, acorda.

Se perde, se torna: acorda!

O que se chora, se ama e se perde.

O que se apega, se apaga e se muda...

E se equece, e se esconde, e se finda.

Sunday, January 18, 2009

O que está acabado não pode tentar um novo começo.
O que está desgastado não pode ser posto à prova...
E não adianta lutar contra os fantasmas se é você mesmo quem os cria. Lute contra você.

O que determina sofrer está dentro da alma.
O que pode não ser é o conceito do trauma.
Mudanças só existem quando o medo fica guardado e lacrado bem longe da vontade de mudar.

Pé na estrada.
Fé rasgada. Costurada a mão.
Levanta e anda. Olhar pra trás, não!

Levanta e anda.
Anda e cai.
Enxuga esse rosto. Objetivo também trai.

Enxuga esse rosto.
Levanta e anda.
Costura essa fé. Mudar você, mudança é!

Sunday, December 14, 2008

apenas um desabafo.


as muitas coisas que eu tenho pra dizer...
se escondem atrás do tempo.

e ele falta.


não se trata de descaso.
e sim da vida.

Wednesday, October 22, 2008

do drama


Olha só,

Estamos caminhando pra lugar nenhum

- ou paramos sem saber sequer onde chegar -

sem pensar!

Que há muito mais em jogo que nós dois.

É assim, de um jeito estranho você está em mim e, sem saber o porque de tudo isso não apostamos mais do que

as palavras que voaram no vento da noite passada.

Sem rancor,

talvez há mágoas e talvez amor.

Feições cortadas pelas lágrimas guardadas para o travesseiro.

Notícias dadas como num jornal.

Afinal, o importante aqui é informar,

que a dor que eu sinto não vai se acabar.

Até que eu pare de mentir pra mim que aquele beijo já se acabou.

E então,

passou da hora de me acordar.

E seguir o rumo sem esse sonho (outra vez).

Wednesday, May 07, 2008

autumn


Os ventos frios trazem uma solidão branca...
Anestesiam o tato.
Adormecem sorrisos...
Os ventos frios trazem a sensação mórbida...
De uma longa espera.
De uma noite longa...
E sem carinhos teus!